sábado, 24 de setembro de 2011

Fresquinha!

Lembra quando a gente disputava a janela do carro ou o “banco da frente”?
Lembra que tinha que dividir o pacote de bolacha, os nuggets e o Pingo d’ouro?
Lembra que tinha que fazer caderno de caligrafia pra letra ficar bonita?
Lembra que era um massacre desembaraçar os cabelos?
Lembra que aprender a ler era como descobrir uma surpresa?
Lembra que os gibis eram “chiclete”?
Lembra que cinco horas era hora de tomar banho?
Lembra que tinha que pedir “licença” pra levantar da mesa?
Lembra que oito horas era a hora de dormir?
Lembra que quem mentia ficava com o “bigode vermelho”?
Lembra que não podia andar de “pé no chão”?
Lembra que a gente ficava fazendo manha de choro até dormir?
Lembra que quando a gente dormia no sofá alguém nos levava pra cama, no colo?
Lembra que quando a gente ficava doente podia ficar o dia todo vendo tevê e tinha o direito de escolher o que queria comer?
Lembra que a gente apostava corrida com os carrinhos de supermercado só por diversão?
Lembra que tinha que fazer a louça, depois estudar e só depois ir brincar?
Lembra que o dia tinha bem mais que vinte e quatro horas?
Lembra que quando chegava uma visita não precisava ficar “fazendo sala”?
Lembra que o lanche surgia miraculosamente e era sempre uma coisa boa?
Lembra que tínhamos que comer aquelas coisas que nem sabíamos o que era, ou tínhamos que tomar aqueles sucos-surpresa que eram verde-couve?
Lembra que o pai sempre trazia um doce quando voltava do trabalho?
Lembra que não éramos nós mesmos que escolhíamos nossas roupas?
Lembra que um dia a gente não tinha nem noção do que era o mundo?
Lembra?
Lembra?
Pois é, felizmente ainda lembro como era bom, mesmo que algumas coisas sejam um pouco vagas hoje, eu lembro que eu era feliz. E parece que nem da tristeza eu tinha noção naquela época, já que eu “ficava triste” só quando me machucava, ou brigava por causa das minhas brincadeiras, ou porque alguém comera mais bolachas do que eu, e nem sabia que se podia ficar triste por culpa de sentimentos ou palavras... Eu não sabia sentir e viver... Eu era apenas uma personagem sem história, um começo de criação, um livro sem palavras... Eu era feliz e nunca soube. E hoje agradeço por tudo!

2 comentários:

  1. Porque será que agente tem saudade dessas coisinhas que ontem eram tão comuns? Será que nossas vidas agora já não tem coisas proprias e comuns que nem essas dai? Será que já não nos surpreendemos e guardamos momentos de descobertas mínimas? s
    será que enjoamos de descobrir? Ou simplesmente descobrimos tudo que tinha pra descobrir?

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