quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Os Cheiros de Hoje Não São os Mesmos de Ontem...

De repente eu comecei a sentir cheiros de infância...Sabe, não era esses cheiros de agora, que as fábricas colocam nas bonecas, nos cadernos, e fica aquele cheiro de éster de morango que eles insistem em dizer que é o cheiro da fruta...Por acaso alguém já cheirou um morango de verdade e sentiu aquele cheiro adocicado, rosa e que gruda no nariz? Pois é...foi o que eu pensei...

Mas falando do que realmente interessa agora, eu comecei a observar ,ou melhor dizendo, “farejar” os cheiros que eu sentia na minha infância .O cheiro do giz de ceira que tinha nas folhas, o cheiro da madeira da mesa de jantar, o cheiro do corredor ,um cheiro escuro e com poeira, mas nunca empoeirado, o cheiro de roupa nova e escolhida só pela mãe, o cheiro de gelo de fruta do refrigerador, o cheiro de sono e manha que tinha na minha cama, o cheiro dos cabelos de bonecas do meu quarto, o cheiro de fugir do banho as cinco da tarde, no banheiro e o cheiro de mexer nas coisas proibidas da mãe ,pra fingir que era adulta,ou até o cheiro do chão da cozinha e da louça que precisava secar depois de fazer os temas de casa...
Porque será que os cheiros mudam tanto quando a gente cresce ?Não me venham dizer que é porque agora eu não preciso mais de mertiolate, ou que não como  mais puxa-puxa, ou que não me penduro mais nas árvores...Um cheiro deveria ser sempre igual na minha opinião...Tudo bem que o gosto da bolacha Negresco tenha mudado, que o Chokito tenha ficado sem graça e o Milkybar tenha ficado bem menos macio...mas o cheiro mudar ?Isso não poderia...
Acho que o que dava cheiro ao cheiro era a própria fantasia, a imaginação...E sabe-se que adultos, por não serem capazes de imaginar tanto quanto as crianças, não são capazes também de sentir os cheiros como eles realmente são. Só pode ser isso. Eu não consigo melhor explicação...


Só o que posso concluir é que a infância é tão importante, tão magnifica, tão irretornável que até os cheiros, os gostos, as dores, os sentidos são diferentes dos míseros adultos que acabamos virando depois...
A infância é o tempo mais doce e cheiroso que há, é preciso aproveitá-la e deixar que as crianças a aproveitem...Depois da idade adulta até dá para disfarçar ,cheirando flores, comendo doces, sorrindo e cantando no chuveiro, mas não será a mesma coisa, por isso...aproveite bem o seu nariz, criança!

Um comentário:

  1. Que legal essa foto da raposa XD. As vezes ainda sinto cheiros de antigamente, principalmente quando ouço um som de conhecido da infância, passarinhos cantando, vizinhas lavando a calçada, portões abrindo e fechando... Lembra daquele cheiro de sala de aula no primeiro dia? As vezes estamos bem belos dai vem aquele cheiro cheio de lembranças e faz cosquinhas na memoria da gente e paramos no meio do caminho pensando: "onde é mesmo que eu sentia esse cheiro?" As vezes nem era um cheiro que agradava muito na época, mas de tanto tempo que agente não sente até que passamos a adorá-lo... Cheiro de serragem de galpão, milho moido ou amendoim secando, quem sabe? Feijão bichado talvez, ou recheio de Maria Angu mofada... Ultimamente meus cheiros-lembranças estão tão vó Ciçaísticos. Bosta de vaca seca, soro de queijo fresco e cinsa pra sabão. E o cheiro de cinza da lareira lá de casa? Mãe Luizístico. Um cheiro meio de água na boca, meio de assado, um cheiro paradoxalmente meio molhado, um cheiro quase na garganta. De ferro fundido talvez, porcausa do cinzel de remecher as brazas... nenhum paulista sabe o que é isso. E As velas de cima da Lareira, com seus cheiros de solenidade? E Cheiro de igreja? Se eu começar com igreja e escola não paro mais... Mas era melhor aqueles cheiros mais sutis, não tão pronunciados e au mesmo tempo mais misteriosos, como se pelo mistério nos transportassem mais rapidamente para o seu mundo estranho, diferente do normal do dia a dia. Como cheiro de canto úmido, que lembra cheiro de chuva sem ser o mesmo. Falando neste, ele tinha várias caras, cheiro de chuva de manha, cheiro de chuva secando, cheiro de chuva-e-sol... Cheiro de adega! Lá do Porão do vô, da casa da Bruxa. Cheiro de Italiano. Tu Sabe...

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