quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Trecho de Livro - Machado de Assis - Quincas Borba

            "Rubião chegou ao fim da rua da Saúde.Ía à toa, com os olhos espraiados e desatentos.Rente com ele, passou uma mulher, não bonita, nem singela sem elegância, antes pobre que remediada, mas fresca de feições; contaria vinte e cinco anos, e levava pela mão um menino.Este atrapalhou- se nas pernas do Rubião.
             - Que é isso, nhonhô? disse a moça, puxando o filho pelo braço.
          Rubião inclinara -se ao pequeno, para ampará-lo.
            - Muito obrigada, desculpe, disse ela sorrindo; e cumprimentou -o.
         Rubião tirou o chapéu, sorriu também.A visão da família apoderou-se dele outra vez. - 'Case-se e diga que eu o engano!' - Parou, olhou para trás, viu ir a moça, tique-tique, e o menino ao pé dela, amiudando as perninhas, para ajustar-se ao passo da mãe.Depois, foi andando lentamente, pensando em várias mulheres que podia escolher muito bem, para executar, a quatro mãos, a sonata conjugal, música séria, regular e clássica.Chegou a pensar na filha do major, que apenas sabia umas velhas mazurcas.De repente, ouvia a guitarra do pecado, tangida pelos dedos de Sofis, que o deliciavam, que o estonteavam, a um tempo; e lá se ía toda a castidade do plano anterior.Teimava novamente, forcejava por trocar as composições; pensava na moça da Saúde, modos tão  bonitos, criancinha pela mão..."

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Trecho de carta- Emma Goldman a Ben Reitman

"Quero realmente que cuide de mim.Ninguém jamais cuidou,como sabe.Sempre tomei conta dos outros e fiz tudo por eles.Nunca quis que ninguém tomasse conta de mim.Mas com você desejo isso,oh!tão intensamente...Estive pensando que há algo mais profundo no fato de uma mulher se agarrar ao homem que ama.É o sentimento confortador de segurança, de ter alguma pessoa que encontra prazer em fazer você feliz e não julga nenhum esforço por você ser difícil demais.Nunca senti falta disso, nunca me importei com isso, nunca imaginei que pudesse a vir ter a necessidade disso, até que você entrou na minha vida, até que despertou esse lado da minha natureza, esse lado da minha psicologia.Olhe, meu precioso, você deu vida a uma força que não sabe como manejar, como enfrentar, daí os conflitos, daí a falta de harmonia e paz."
 
 

Palavras de um Príncipe




"Bom,chega de frases prontas, agora quero agradecer a ti, pela namorada que tem sido nesses 4 meses...Moça quieta que chegou de mansinho,mansinho e conquistou seu espaço...Fez eu me apaixonar por você de um jeito mais lindo que um ser humano pode fazer...Me fez acreditar que ainda existe amor para recomeçar...
"Veio se aproximando, querendo saber qual era a minha...E eu sem perceber, mostrei qual era...Até que resolvemos caminhar juntos...E hoje aqui estamos...
"Depois de 4 meses, a cada dia que passa, o amor aumenta mais...
"A saudade vem pra derrubar,mas o amor é maior que tudo...Fazer o que né?!Fomos feitos um para o outro!
"É mágico...É lindo...É inacreditável!
"Mas de maneira mágica, linda e inacreditável...Estamos aqui, um do outro e ambos de Deus.Realizando nossos sonhos, e crescendo juntos...Nos amamos, nos odiando,nos acarissiando (sic), nos batendo...Mas estamos aqui.
"Acima de tudo, completamente  A-P-A-I-X-O-N-A-D-O-S um pelo outro.
"E para terminar...Quero te convidar a passar o resto dos teus dias ao meu lado.Aceita?"


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A História da Vaca Verde - Versão Família Corteze





Como é que se coloca uma girafa dentro da geladeira?
Abre a porta, põe a girafa lá dentro e fecha a porta.
Como colocar cinco elefantes dentro de um fusca?
Abre a porta,coloca dois elefantes na frente e três atrás e fecha a porta.
Como você sabe que verá um elefante no cinema?
É só ver se o fusca está vazio e na frente do cinema.
Era uma vez um garotinho que tinha uma vaca verde.Ele gostava demais da vaca verde,mas um dia ele esqueceu a porteira da mangueira aberta e a Vaca Verde fugiu.
O garoto nunca mais encontrou a Vaca Verde.Porque?
Porque a Vaca Verde se camuflava no capim.
O rei Leão estava dando uma festa de aniversário para a Kiara,todos os animais foram convidados,mas um animal não compareceu à festa.Qual foi e porquê?
Foi a girafa,que não foi à festa porque estava dentro da geladeira.
O garotinho, sabendo da festa da Kiara resolveu dar uma olhada por lá.Ele estava andando quando deparou com um rio de jacarés, onde havia também uma cobra prestes a dar o bote.Como o garotinho atravessou o rio?Sem preocupação, pegou o bote que a cobra estava dando e remou até o outro lado, já que os jacarés estavam na festa da Kiara.
Porque os elefantes se atrasaram para a festa da Kiara?
Porque estavam no cinema assistindo filme.
O garotinho,depois de ter dado uma olhada na festa da Kiara voltou para casa. chegando lá ele foi assaltado e o assaltante fugiu para bem longe.O garotinho prometeu encontrá-lo de tudo quanto era jeito.O assaltante pegou um avião e viajou para outro estado.Chegando no aeroporto, ele desembarcou e adivinha quem ele encontrou?
A Vaca Verde, que estava indo para a festa da Kiara.
Como se coloca um elefante dentro da geladeira?
Abre a porta, tira a girafa lá de dentro, põe o elefante e fecha a porta.
A festa da Kiara estava quase no fim quando chegou um fusca.Quem estava no fusca e porque chegaram atrasados?
Estavam no fusca quatro elefantes que foram ao cinema e a girafa que aproveitou a carona dos elefantes quando um deles foi colocado na geladeira...
Quando a festa da Kiara acabou de vez, a Vaca Verde voltou para casa, e o garotinho ficou muito feliz e disse ao seu pai que queria uma janela amarela.Mas seu pai não lhe deu a janela porque no natal passado o garotinho já tinha ganhado uma bicicleta.Depois disso o garotinho nunca mais comeu amendoim.Porquê?
Porque a mãe dele se chama Creusa.
O que aconteceu com a Vaca Verde depois de toda essa história?
A Vaca Verde amadureceu.
Qual a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?...

Leiam Alice no País das Maravilhas...

domingo, 25 de novembro de 2012

Crônica do Amor Total

 


O que eu vou fazer agora
se eu te amo?
O que é que eu faço,
se quando a gente briga mais eu vejo
que a verdade é que não
me imagino mais vivendo
sem você?
Eu fico um dia sem falar
e sinto falta das brigas e mordidas
e carinhos e bobices e paixões...
Eu não sei mais existir
sem você e toda essa sua
dependência, que dependo tanto também...
Fomos crescendo, e crescendo,
e caímos, demos conta e nos levantamos,
e seguimos, e tudo juntos,
nos acostumamos a ser dois em um,
em não ser mais eu e você,
mas sermos um "nós".
E hoje quem vê nem vê mais
nós dois, vê um só, um casal,
um amor inseparável...
Eu nem queria tanto no começo, vejá só,
hoje não nos desgrudamos,
um só vive se o outro viver junto,
ali, os dois juntos feito leite com café,
misturados homogeneamente...
Quem é que pode dizer
que não é amor?
Quem é que desmente?
Que é que se faz se
se ama assim?
Um amor assim tão eterno,
que acaba com qualquer plano
de briga e fim de namoro,
quem é que não aposta,
e posta e se prostra...
Que que eu faço
se agora eu te amo?

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Tema para o Cezar - Mafalda dos Santos

AMOR: não sei se te tenho
Este sentimento tão ansiado
Se ele é algo pleno,
Calmo, ligeiro, demorado...
Talvez, em ti, já o tenha notado
Se é ele que traz segurança,
Só por eu te saber ao meu lado,
Se ele é irmão da confiança
E nunca fica cansado...
Talvez, em ti, já o tenha notado
AMOR: não sei se te tenho
Este sentimento tão estranho,
Tão cantado:
É rude quando se quer ser terno,
É louco, quando se quer ser sensato...
É mensurável
Embora humano.
AMOR: não sei se te tenho
Não sei se o trago comigo
Será que ele é todo esse empenho
De eu só te enxergar como amigo?

Encontro - Mafalda dos Santos



Menina quieta, inquieta
Te faço uma proposta:
Preciso da tua resposta
Pra não me perder na dor
Pois não quero me defrontar
Neste pesadelo, onde sou
Protagonista
De um filme de horror
Ouve meu apelo, sem zelo
Não sejas egoísta, menina,
Preciso acreditar na festa
Se é que resta nesta pista:
Um mundo sem quase promessa
Que nenhuma rima contém...
Vem, preciso da tua resposta
Ela será a minha porta
Que me deixará seguir livre
No meu vai - e - vem
Menina do meu passado,
Responde com teu jeito acanhado
Junta - te com esta adulta
Que num quase desespero
Suplica -te, faz um apelo
Por favor, escuta
Vem ligeiro, sem teimosia
Necessito sugar tua fantasia
Que desertou de mim
Anseio beber tua poesia
P'ra nos meus passos
De gente grande
Nesta vida que se corta e se expande
Não lembrar que esqueci
O que é um jardim
Menina, preciso da tua ajuda
Vem,me toma nos braços
Me nina, menina, me estuda,
Me afaga, que nesta vida amarga
Estou esquecend canções...

Ah! Criança de tempos atrás
Aqui estás, já te vejo
Já sinto no meu rosto
O teu beijo
Já nem sei mais quem eu sou
Se esta que está jogando iô -iô,
Que brinca de roda
Ou se aquela que do jardim
Rouba uma flor
Ou, quem sabe, esta pessoa
Circunspecta, alerta,
Que planeja um ofício,
Dita roteiros
Ou se sou esta poeta
Que buscou, te chamou, te desejou
Te reclamou o dia inteiro...

Grilhões - Mafalda dos Santos

Menino, eu não pude
Tomar banho naquele açude
Quando vieste me chamar
Pois meus condicionamentos adultos tolheram - me
"Que insulto"
E eu não pude me soltar...
Menino, juro, eu queria
Subir naquela laranjeira
Esquecerda noite, do dia
Dar -me por inteira...
Menino, eu queria rolar
Por toda essa lama
Semme importar da sujeira
Que eu iria ficar
Mas meu materialismo que
Minhas roupas - por demais - ama
Fez - me ficar parada
Robotizada
Impedindo - me de amar
Menino, eu juro
Queria ter o poder de
Saber me desprender
Mas...
Hoje não tenho mais medo
Vem, menino, abre com a tua paz
Estas correntes: meus segredos
Acho que já sou capaz
De brincar do teu brinquedo.


Protesto - Mafalda do Santos



Não, hoje não quero saber de flores,
Seus odores
Só sei dos meus cobertores,
Do meu acolchoado,
Dos meus pensamentos abafados
Sobre os horrores dos favelados
Que não têm nem um calçado
P'ra enfrentar este frio
Sua única realidade, seu alento,
 - Único sustento -
Não posso olhar este cravo
 - Tão lindo no seu amarelo -
Se um já morreu congelado
A quilômetros da minha porta...
Não quero! Pouco importa
Essa flor!
Como posso ver nela: amor
Se a cada pétala que desperta
Fico alerta:
E lembro do cobertor?
Por favor, levem daqui essa flor
Não posso sentir amor...
 

Justificativa - Mafalda dos Santos

Não sei qual a razão , meu Deus,
(E já me pedi perdão)
De eu ainda não te tirar
Dos pensamentos meus.
Será que ainda não sabes
Que não adianta ficares,
Porque não mais me lembro
Das tardes
Que ficávamos a conversar?
Porque será, criatura
Que queres permanecer
Se eu te disse
Que não mais queria sofrer?
(E que chegava de tortura?)
Mas porque será que ainda
Lembro -te com ternura?
Só há uma justificativa
(Que só encontro agora):
- A saudade que ainda fica,
Implora pela demora
De ficares em minha mente,
insistindo em não fenecer,
Não deixando um só minuto,
Nem por um repente,
Tua lembrança enfraquecer...

Fases - Mafalda dos Santos


A vida que trazes dentro de ti
Anseia por eclodir, se expandir
A cada mês, cada dia,cada hora
E tu, em sintonia com o desejo
Do teu bebê
Faze - te, em cada hora, cada dia, cada mês:
Ora criança, ora senhora
 - Em mutações que te surpreendem -
Dando -te de presente
Nessa rima : "de esperança
Com criança"
O perfil da mulher - verdade
Emoldurada por contornos
              -teus adornos-
Proeminentes -tua realidade -
A mulher -emoção
  - A figura de gente -
 
 
 
 
 

Observações - Mafalda dos Santos

Quando te alentas
Nas canções
Tu ficas isenta
Dando - te às divagações
Que te transportam ao passado:
Passado tão presente
Pois dele és tão carente:
Teto de tuas ilusões
Quando balbucias as letras
Que outros fizeram
Tu te iluminas
- Em cada rima-
Como se fossem tuas as cantigas
(Tanto faz, se de agora:ou antigas)
E com elas te integras
Te entregas, te intrigas
Ficando só contigo
A música: teu dever de ser
Ela te mantém erguida
Ela e tu: à vida.

Tributo à Palavra Mafalda dos Santos


Palavra: escrita ou falada
Gritada, ou murmurada
És a chave de tudo
Comparada a ti, só o gesto
Mais nada.
Um leve deslize teu
Uma má articulação,
Colocação,
E lá se vai o perdão
Ficando no seu lugar: ressentimento,
Arrependimento...
Palavra: vales por mil discursos,
Mil conotações, sentimentos,
Por ti,s e faz a guerra
Queima - se terra,
Amizade se desfaz.
Por ti, e em ti,
Consegue -se a paz.
Palavra: deusa da comunicação:
- escrita, falada, sentida
Por ti, perdemos a razão,
Por ti,chegamos à oração
Palavra: deusa maldita,
Por ti, ficamos sem ação,
Por ti, choramos, gargalhamos
- Mola que nos agita -
Palavra: és venenosa, terna: eterna
A tua falta, criam -se mil palavras,
Mil afetos, mil perigos,
Arma palavra: arma que nos matamos
Quando, com ela, ferimos amigos...

Amor: Sinônimo "Namoro" - Mafalda dos Santos

AMOR: palavra tão desgastada
Nessa vida agitada
Pouca coisa por ele se tem feito:
- É o amigo na solidão,
Ou solidão sem qualquer respeito
É o irmão sem nenhum direito...
E o amor em nós trancafiado
Pois de nós: somos suspeitos...
AMOR: não se usa mais
Mas para os animais
Ele continua inteiro,
Perfeito - escancarado-
Sem mentira, sem ilusão,
Sem nenhum defeito:
- Inteiro- sem discriminação
Sem nenhum arranhão...

Desconfiança - Mafalda dos Santos

Será que quando me olhas
Com aquele jeito de meninão
Será que consegues provas
Da minha imensa paixão?
Será que quando me abraças
Com aquele jeito tão meigo
Será que não vês ameaça
De eu desvendar teu segredo?
Será que quando me agitas
Com teu sorriso espontâneo
Nem por um minuto cogitas
Que perto de ti só sonho?

Momento Mafalda dos Santos

Assim como foi o momento Neymar de Barros, agora é o momento Mafalda dos Santos...Sem mais explicações...

domingo, 21 de outubro de 2012

No Vento Livre do seu Arbítrio - Neimar de Barros


Quantos anos você tem?
Quinze,vinte, trinta ou está vivendo de gorgeta?
Sim, porque depois dos cinquenta é gorgeta.
Neste mundo poluído, conturbado,
Passar dos cinquenta é fazer treze pontos...
Quantos anos você tem?
Você tem idade para saber o que é certo
Ou você só tem idade para viver  o que é errado?
Quantos anos você tem?
Você tem idade para tomar vergonha
Ou a vergonha se consumiu na sua sociedade de consumo?
Quantos anos você tem?
Você tem idade para enfrentar, assumir e realizar
Ou você só tem idade para entrar na onda?
Você é um rato ou um homem?
Você prefere queijo ou amor?
Você está na ratoeira da massificação
Ou está no vento livre do seu arbítrio?
Quantos anos você tem?
Você sabe que não existe presente?
Que o "que" desta linha já é passado
E o futuro é o "que" que não escrevi?
Quantos anos você tem?
Você sabe que o presente não é deste mundo,
O presente é a eternidade vivida?
Quantos anos você tem?
Quinze,vinte, trinta ou está vivendo de gorgeta?
O que é que você já fez?
Atravessou cego na rua?
Deu esmola?
Pô, isso qualquer escoteiro faz!...
Quantos anos você tem de GENTE?
Você já despertou como GENTE?
Você já andou como GENTE
Ou até agora foi um instrumento de repetição?
Você sabe o seu papel no mundo
Ou é um espermatozóide crescido,
Na eterna espera de um óvulo?
Quem é você?
Quantos anos você tem?
Olha, só a sua consciência pode responder isso!
Hoje eu sei quem eu sou,
Sei minha idade,
Mas já fui um autômato como você,
Felizmente me encontrei,
Me encontrei, no vento livre do meu arbítrio!

Como Foi a Redenção - Neimar de Barros

O Espírito fez o embrião,
O embrião fez - se feto,
O feto fez -se menino,
O menino fez -se filho.
O filho fez -se Evangelho,
O Evangelho fez -se caminho.
O caminho fez -se verdade,
A verdade fez -se vida.
A vida é Deus
E Deus fez -se homem,
Para que o homem fosse a Deus!

As Sandálias de Jesus Cristo - Neimar de Barros

Quando peguei meu amor empoeirado
E  o coloquei acima do egoísmo "brilhante",
Eu senti a esperança ao meu lado
E bem abaixo, vi a dor cambaleante.
Entrei na capelinha, pé ante pé,
Nem inibido no sacrário me senti,
Porque se alguém desconfiasse da minha fé
Ainda assim, bem firme, manter -me -ía ali.
De repente, senti alguma coisa estranha:
- Reminiscência de um passado mal passado - .
Descarregando quase o peso de uma montanha,
Eu chorei, limpando o amor empoeirado.
No final, ouvi o canto do silêncio,
Na garganta sofrida da paz, que se exila,
Seu eco mudo refletia no meu ser propenso,
Que tanto tempo viveu uma calma intranquila.
Meus lábios ameaçaram uma oração
 
desconhecida
 
E conforme as palavras foram chegando
Notei apossar -se de mim uma nova vida:
O amor brilhou e os olhos foram
marejando
Um som divino de passos deixou -me ofegante.
Eles passaram e passearam por minh'alma
falha,
E eu senti o leve peso de uma amor gigante:
Era Cristo, passeando em mim com suas santas
sandálias!

Mande Deus Para o Museu! - Neimar de Barros

Quando eu vejo um auto suficiente,
Postado à minha frente,
Despejando sapiência,
Eu tenho ataque de riso.
O sujeito pensa que sabe tudo,
Que é gênio, intelectual,
E na verdade, é um ignorante letrado,
Um analfabeto das coisas divinas.
É um cara que só tem dez por cento
Do seu cérebro em funcionamento.
E com dez por cento
Julga Deus,
Apaga Deus,
Ri de Deus.
O Criador não acertou em nada
E o sabichão é que sabe tudo.
Ele, o bípede terreno com seus dez por cento
Entende profundamente
Da matéria e do espírito.
Mistério não há, tudo é claro,
Claro com seus dez por cento de cérebro
E cem por cento de auto suficiência.
Gênio!
Intelectual!
Você sabe tudo!
Diga - me uma coisa apenas:
Por que você primeiro não estuda e conserta
O que há de errado em sua própria vida?
Vida cheia de infidelidade,
Titubeios,
Preconceitos,
De vai -não- vai,
Medo,
Recalque,
Complexo.
Depois de consertar tudo sem Evangelho,
Usando só seus ridículos dez por cento,
Pegue Deus, coloque - o num frasco
E mande -o para o museu mais próximo!

Renúncia - Neimar de Barros

Eu queria uma vida assim com você:
Sem relógio e sem dedo em riste,
Sem lei e sem sociedade,
Sem satisfação e sem tchau!
Eu queria uma vida assim com você,
Mas felizmente, meu querer não é tudo
E meu poder é limitado.
Felizmente minha palavra se esvai
E este papel se amarela.
Felizmente porque o bom é a espera.
A incerteza e o talvez são molas propulsoras;
Caso contrário a alegria não teria razão
E o chegar não teria partida.
Eu queria uma vida assim com você:
Sem lenço e sem documento,
Mas o bacana é o adeus, é a volta,
É o riso depois do choro,
É o hoje sofrido e o amanhã exultante.
O bacana é o crescente, é a renúncia,
A noite mal dormida, a consciência,
O bacana é a luta,
É saber que existe o perdão.
É a dúvida do "não quero", mas quero!
Eu queria uma vida assim com você,
Mas dou graças por não ter,
Porque só assim eu posso escrever tudo isto,
Só assim eu posso medir - me,
Posso certificar a limitação humana.
Só assim eu sei que nada sou,
Que vivo capengando,
Carregando o que dá
E caindo com o que não dá.
Só assim eu sei o quanto lhe quero,
O quanto posso, mas o quanto não devo! 

Seleção Neimar de Barros



Segue uma seleção de Poesias de Neimar de Barros que achei interessante de compartilhar aqui...

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Ser



Se for para ser, sê inteiro..
Não sê fragmentos,pedaços ou cacos...
Sê,somente sê...
E se, somente se
for para mudar,mude lentamente...
Mude aos poucos, mude sempre sendo inteiro...
Mude o mundo inteiro
sendo o ser que se é por inteiro.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um Título de Nada

Este caderno virou
um rascunho de poesias,
assim como eu, que
sou o rascunho de uma vida...
 

A Sina

Levei todas as garrafas que encontrei
para meu quarto.
E até as duas da manhã fui uma
verdadeira poetisa.
Me embebedei,chorei,escutei música...
Escrevi,compus,amassei umas idéias.
Calma,as garrafas são
de água.
Me embebedei só de
poesia...
E o resto são angústias...
 

Drama


Violista sou.
Fisicamente,toco bem.
Mentalmente,não toco nada.
Vou dedilhando as notas,
friccionando o arco,
a melodia vai-se tocando...
Fisicamente,toco bem,
sou quase virtuose,nada desafinado;
com técnica perfeita.
A melodia se destaca.
Fisicamente.
Mentalmente toco errado,
minha técnica é travada,
desafino as notas, não arranco qualquer
expressão da minha expressão.
Violista sou.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Estranhando a Mudança


Sinto - me agora
em território desconhecido.
As linhas eram azuis, são agora rosas.
Não havia desenho, agora,
por causa deles, meu texto está
todo T
      O
     R
     T
       O,
desalinhado...
Devo mudar minha estrutura,
me acostumar com seres
que nada tem a ver com
minha alma...
 
Não estou à vontade, não me sinto mais...
Minha expressão foi sucumbida.
Meu espaço se acabou.
Sinto falta
de mim mesma.
Como é que para esta poetisa
seu caderno
significava tanto assim?
...nem tudo na vida é fácil...

Uma História de Amor

Você terminou...
Eu vi mesmo que tentava
me dizer algo importante...
Fui ficando com medo,vi logo que
ía acabar...
Estivemos juntos todos esses anos,
não foram poucos, foram até demais.
Ainda éramos crianças...
Mas tudo um dia acaba não é?
Você agora vai guardar minha alama,
meus segredos,minhas lágrimas, raivas, sorrisos...
E eu vou apenas sentir muita falta de você...
Toda falta aliás...!
Queria que soubesse, você foi muito mais que
um simples caderno de poesias...


domingo, 2 de setembro de 2012

Uma Coisa Relevante

Está acabando
o espaço
do meu caderno de poesias...
Onde é que eu  vou
guardar
minha alma agora?
E tem mais:
tá na hora
de apontar
esse lápis...

Tirando o Pó

Deu vontade
de arrumar minha alma
também...
Não que estivesse
uma bagunça ruim.
Era uma bagunça boa.
De quando se é necessário
bagunçar
só para poder
arrumar de novo e sentir
cheirinho de limpeza...

Briga de Rua

- Pai, apanhei na rua...
- Apanhou de quem?
- Dela...
- Dela quem?
- Da Vida,pai...
 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Perturbações


Quem está aí?
É claro que levei um susto!
Minhas lágrimas são sempre
    s
i
  l
e
   n
c
   i
o
   s
a
  s,
 
 
sozinhas...
 
Tristeza é apenas
            d
            e
            t
            a
            l
            h
            e...
 
Já que você chegou
e fez barulho...
pode enxugar minhas lágrimas?

Uma Violista Qualquer



Eu gosto de me  misturar...
Nunca tive medo de pesssoas;
prefiro me entender...
Aliás...
Não gosto de me misturar...
Sempre tive medo de pessoas;
prefiro me entender...


Mas mesmo assim não me entendo...

Era melhor que eu virasse mesmo uma ermitã
e ainda assim não me entenderia...

Estudar, tocar viola, tocar piano, escrever,
dormir,comer,acordar,estudar,tocar viola,
tocar piano, escrever, chorar,sorrir,dormir,
comer,acordar,estudar,tocar viola,tocar piano,
escrever, dormir,comer,chorar,sorrir,sofrer...

Maquininha de conflitos, se mistura.

Eu gosto de me misturar...
Nunca tive medo de pesssoas;
prefiro me entender...
Aliás...
Não gosto de me misturar...
Sempre tive medo de pessoas;
prefiro me entender...

Mas mesmo assim não me entendo...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Pés de Amendoim - Crônica

     Estava eu na fazenda de minha avó.Eu e meu irmão resolvemos limpar o sótão, em segredo, já que a escada era perigosa, os degraus imprecisos e sem escora na parede...
Mas subimos lá, abrimos as três janelas: a do quartinho de trás, de onde se avistava o milharal, a da frente, onde se avistava a lavourinha e a capelinha, e finalmente a janela do meio...Nunca havia olhado através dela.Por sob o telhado enxerguei uma grande árvore frondosa, talvez mais um desses eucaliptos europeus, uma terra muito marrom, com algumas plantinhas que eu pensei serem ervilhas...
    Chamei meu irmão e lhe mostrei aquele lugar, um pedaço do quintal que eu, em vinte anos de vida ainda não havia explorado.
    Estavam lá meu pai, minha irmã e minha avó.Meu irmão,indignado com minha surpresa apenas me diz: - São os pés de amendoim! - Chama então o meu pai, que nos atira alguns favos do fruto e convida-nos a juntarmo-nos a eles.
    Meu irmão corre na frente, com suas pernas mais ágeis e compridas, desce logo a perigosa escada.Sendo eu mais mirradinha, acabo por ficar para trás,quase caindo pelos vãos da escada.
     Eu não sabia o caminho...Nunca cheguei a saber onde ficava aquela parte do quintal de meus avós...Não sabia sequer que plantavam amendoim...
     Fiquei muito  triste, e por conta disso, acordei do sonho.Corri a perguntar à minha mãe: -mãe,eles plantavam amendoim lá no Campo?
    - Claro, é uma planta rasteirinha, a vó puxava da terra e caía tudo os favos assim, cheinhos de amendoim.
    Fora verdade então...Aquele lugar tão convidativo, aquele pedaço de quintal,  pedaço de minha casa,  pedaço de mim, existiu...Minha família toda o conhecia, menos eu.Nunca cheguei a conhecê-lo.Nem por sonho.Nunca comi os amendoins.Nunca provei do fruto que nem sabia existir dentro de mim.
      E com isso concluí: todo mundo deve ter um pé de amendoim em algum quintal inexplorado dentro de si...Mesmo depois de tanto tempo, chegamos a conhecer nossos amendoins só em sonho, ou nem isso...
 
 
Ps: Please, se alguém encontrar algum erro de digitação,avisa tá?? Seja legal...;)

domingo, 19 de agosto de 2012

Os Abraços

Sempre se parecem
bem maiores do que eu...
Sempre mais protetores,
mais corajosos,
mais acalorados,
mais acolhedores...
As duas almas sempre
se misturam um pouquinho.
As conficências dos  corações
abrem suas portas e
se multiplicam em
dois vezes dois...
O mundo da alma
se torna ainda mais
colorido...maior...melhor...
Sempre maiores do que eu,
os abraços...

sábado, 18 de agosto de 2012

Estou toda bagunçada,
o que não costumo ser...
Tem aluma coisa errada,
mas eu não consigo ver...



sábado, 11 de agosto de 2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Sertão - M.Quintana

Inutilmente, ao longo das ruas,
Os Anjos fazem trottoir...
Inutilmente...
Ninguém quer levar para casa
um pouco de céu; um pouco de si...
A lembrança do que se perdeu
sempre incomoda...
Os solitários bebem uísque e soda.
Os afamiliados também.
A nostalgia está fora de moda.
Depois, há a televisão,
o copo na mão - sinal
de que existe o mundo!
Subitamente alguém ri muito alto
- não se lembra de quê...
Um último Anjo retirante
espia, espia ainda a velha sala iluminada.

Uns Versos - Quintana

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim!uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas de papel.
Trago -te palavras, apenas...e que estão escritas
do lado de fora do papel...Não sei, eu nunca soube
o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!

O Pobre Poema - Quintana



Eu escrevi um poema horrível
É claro que ele queria dizer alguma coisa
Mas o quê?
Estaria engasgado?
Nas suas meias palavras havia no entanto uma ternura mansa
como a que se vê nos olhos de uma criança doente,
uma precoce, incompreensível gravidade
de quem, sem ler os jornais,
soubesse dos seqüestros
dos que morrem sem culpa
dos que se desviam porque todos os caminhos estão tomados...

Poema, menininho condenado,
bem se via que ele não era desse mundo
nem para esse mundo...
Tomado, então, de um ódio insensato,
esse ódio que enlouquece os homens ante a insuportável verdade,
dilacerei-o em mil pedaços.
E respirei...
Também!quem mandou ter ele nascido no mundo errado?