quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Poesia de Rolando Camozzi Barrios

Sou um homem:isto já é suficiente...

Sou um homem. Presença dolorosa
do corpo revoltado contra a alma,
da razão que sabe e a luta
do coração que ficou cego em sua batalha.

Sou um homem. História desagregada
de armas e dança, de festival e guerra.
Motim de meus desejos. Ameaça
de combate. Sentença de condenação.

E eu sofro. Caminhante atormentado
à margem dos pássaros e do pranto,
e limite da angústia e das idades.

E eu sonho. Peregrino insatisfeito
desde esta morte que me vai nascendo
até teu amor, ó Deus, crucificante.

Sou um homem. Consciente da tarefa
de ensaiar na arena minha agonia,
entre um cravo de sangue pela minha dor
e um touro no umbral das feridas.

Sou um homem. Aceito o desafio
de dançar ao som do canto da espada,
com o fio apertado entre as clavículas
e a ponta cravada sobre a alma.

E assim desempenho a minha história: ritmo, ferro,
torneio de paixões e de desejos,
lastimando minhas horas e meu papel.

E assim ganho minha morte: baile, coragem,
esgrima de dor e de pecado,
para estrear-me, ó Deus, no teu mistério.

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