quarta-feira, 25 de julho de 2012

Bonita


Era bonita e sabia.Mas precisou de maquiagem, já que não tinha nenhuma máscara.Contentava-se às vezes a colocar o óculos de sol, talvez os fones de ouvido com alguma música...

Não queria ser reconhecida ao andar na rua.Precisava de liberdade, e a encontrava entre as pessoas.Mas sem ser reconhecida.Talvez sem reconhecer-se.Precisava libertar-se de si mesma.

Começava a escrever poesias, nervosamente como sempre.Mas já sabia que seus sentimentos agrediam o papel e a caneta.

Passou a ler os jornais antigos, as relíquias, guardadas pela mãe.Só a parte literária; queria inspirar-se.

Sentiu o cheiro das folhas, mistura de poeira e ácaro com o perfume característico de qualquer livro ou jornal velho.Quis sentir-se perfumada também, mesmo que estivesse em casa...Passou um hidratante qualquer, penteou os cabelos e decidiu que sairia à tarde, para caminhar.

Sempre tinha a esperança de encontrar velhos amigos, conversar, se distrair.Mas sem ser reconhecida, era o mais importante!

Queria roubar o perfume de alguém com um abraço, para mais tarde sentir a pessoa bem próxima.E deixaria seu perfume nela também, para talvez virar a lembrança de alguém...
Só queria viver ao invés de existir.Mas desistiu, era bonita demais para viver...

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