segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Perturbações


Quem está aí?
É claro que levei um susto!
Minhas lágrimas são sempre
    s
i
  l
e
   n
c
   i
o
   s
a
  s,
 
 
sozinhas...
 
Tristeza é apenas
            d
            e
            t
            a
            l
            h
            e...
 
Já que você chegou
e fez barulho...
pode enxugar minhas lágrimas?

Uma Violista Qualquer



Eu gosto de me  misturar...
Nunca tive medo de pesssoas;
prefiro me entender...
Aliás...
Não gosto de me misturar...
Sempre tive medo de pessoas;
prefiro me entender...


Mas mesmo assim não me entendo...

Era melhor que eu virasse mesmo uma ermitã
e ainda assim não me entenderia...

Estudar, tocar viola, tocar piano, escrever,
dormir,comer,acordar,estudar,tocar viola,
tocar piano, escrever, chorar,sorrir,dormir,
comer,acordar,estudar,tocar viola,tocar piano,
escrever, dormir,comer,chorar,sorrir,sofrer...

Maquininha de conflitos, se mistura.

Eu gosto de me misturar...
Nunca tive medo de pesssoas;
prefiro me entender...
Aliás...
Não gosto de me misturar...
Sempre tive medo de pessoas;
prefiro me entender...

Mas mesmo assim não me entendo...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Pés de Amendoim - Crônica

     Estava eu na fazenda de minha avó.Eu e meu irmão resolvemos limpar o sótão, em segredo, já que a escada era perigosa, os degraus imprecisos e sem escora na parede...
Mas subimos lá, abrimos as três janelas: a do quartinho de trás, de onde se avistava o milharal, a da frente, onde se avistava a lavourinha e a capelinha, e finalmente a janela do meio...Nunca havia olhado através dela.Por sob o telhado enxerguei uma grande árvore frondosa, talvez mais um desses eucaliptos europeus, uma terra muito marrom, com algumas plantinhas que eu pensei serem ervilhas...
    Chamei meu irmão e lhe mostrei aquele lugar, um pedaço do quintal que eu, em vinte anos de vida ainda não havia explorado.
    Estavam lá meu pai, minha irmã e minha avó.Meu irmão,indignado com minha surpresa apenas me diz: - São os pés de amendoim! - Chama então o meu pai, que nos atira alguns favos do fruto e convida-nos a juntarmo-nos a eles.
    Meu irmão corre na frente, com suas pernas mais ágeis e compridas, desce logo a perigosa escada.Sendo eu mais mirradinha, acabo por ficar para trás,quase caindo pelos vãos da escada.
     Eu não sabia o caminho...Nunca cheguei a saber onde ficava aquela parte do quintal de meus avós...Não sabia sequer que plantavam amendoim...
     Fiquei muito  triste, e por conta disso, acordei do sonho.Corri a perguntar à minha mãe: -mãe,eles plantavam amendoim lá no Campo?
    - Claro, é uma planta rasteirinha, a vó puxava da terra e caía tudo os favos assim, cheinhos de amendoim.
    Fora verdade então...Aquele lugar tão convidativo, aquele pedaço de quintal,  pedaço de minha casa,  pedaço de mim, existiu...Minha família toda o conhecia, menos eu.Nunca cheguei a conhecê-lo.Nem por sonho.Nunca comi os amendoins.Nunca provei do fruto que nem sabia existir dentro de mim.
      E com isso concluí: todo mundo deve ter um pé de amendoim em algum quintal inexplorado dentro de si...Mesmo depois de tanto tempo, chegamos a conhecer nossos amendoins só em sonho, ou nem isso...
 
 
Ps: Please, se alguém encontrar algum erro de digitação,avisa tá?? Seja legal...;)

domingo, 19 de agosto de 2012

Os Abraços

Sempre se parecem
bem maiores do que eu...
Sempre mais protetores,
mais corajosos,
mais acalorados,
mais acolhedores...
As duas almas sempre
se misturam um pouquinho.
As conficências dos  corações
abrem suas portas e
se multiplicam em
dois vezes dois...
O mundo da alma
se torna ainda mais
colorido...maior...melhor...
Sempre maiores do que eu,
os abraços...

sábado, 18 de agosto de 2012

Estou toda bagunçada,
o que não costumo ser...
Tem aluma coisa errada,
mas eu não consigo ver...



sábado, 11 de agosto de 2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Sertão - M.Quintana

Inutilmente, ao longo das ruas,
Os Anjos fazem trottoir...
Inutilmente...
Ninguém quer levar para casa
um pouco de céu; um pouco de si...
A lembrança do que se perdeu
sempre incomoda...
Os solitários bebem uísque e soda.
Os afamiliados também.
A nostalgia está fora de moda.
Depois, há a televisão,
o copo na mão - sinal
de que existe o mundo!
Subitamente alguém ri muito alto
- não se lembra de quê...
Um último Anjo retirante
espia, espia ainda a velha sala iluminada.

Uns Versos - Quintana

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim!uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas de papel.
Trago -te palavras, apenas...e que estão escritas
do lado de fora do papel...Não sei, eu nunca soube
o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!

O Pobre Poema - Quintana



Eu escrevi um poema horrível
É claro que ele queria dizer alguma coisa
Mas o quê?
Estaria engasgado?
Nas suas meias palavras havia no entanto uma ternura mansa
como a que se vê nos olhos de uma criança doente,
uma precoce, incompreensível gravidade
de quem, sem ler os jornais,
soubesse dos seqüestros
dos que morrem sem culpa
dos que se desviam porque todos os caminhos estão tomados...

Poema, menininho condenado,
bem se via que ele não era desse mundo
nem para esse mundo...
Tomado, então, de um ódio insensato,
esse ódio que enlouquece os homens ante a insuportável verdade,
dilacerei-o em mil pedaços.
E respirei...
Também!quem mandou ter ele nascido no mundo errado?

Katherine Mansfield


As notas sobem e descem
dançando na pauta
como negrinhos brincando numa cerca de arame.

Ao que Leva o Amor - Clarice Lispector



- (Eu te amo)
- (É isso então o que sou?)
- (Você é o amor que tenho por você.)
- (Sinto que vou me reconhecer...estou quase vento...falta tão pouco)
- (Eu te amo)
- (Ah, agora sim.Estou me vendo.Esta sou eu, então.Que retrato de corpo inteiro)




Maria Amélia Mello



Serviu
ser vil.

A Morte - Cruz e Souza

Oh!que doce tristeza e que ternura
No olhar ansioso, aflito dos que morrem...
De que âncoras profundas se socorrem
Os que penetram nessa noite escura!

Da vida aos frios véus da sepultura
Vagos momentos trêmulos decorrem...
E dos olhos as lágrimas escorrem
Como faróis da humana Desventura.

Descem então aos golfos congelados
Os que na terra vagam suspirando,
Com os velhos corações tantalizados.

Tudo negro e sinistro vai rolando
Báratro abaixo, aos ecos soluçados
Do vendaval da Morte ondeando, uivando...