sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Pobre Poema - Quintana



Eu escrevi um poema horrível
É claro que ele queria dizer alguma coisa
Mas o quê?
Estaria engasgado?
Nas suas meias palavras havia no entanto uma ternura mansa
como a que se vê nos olhos de uma criança doente,
uma precoce, incompreensível gravidade
de quem, sem ler os jornais,
soubesse dos seqüestros
dos que morrem sem culpa
dos que se desviam porque todos os caminhos estão tomados...

Poema, menininho condenado,
bem se via que ele não era desse mundo
nem para esse mundo...
Tomado, então, de um ódio insensato,
esse ódio que enlouquece os homens ante a insuportável verdade,
dilacerei-o em mil pedaços.
E respirei...
Também!quem mandou ter ele nascido no mundo errado?

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