sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Retrato do Morro Azul

Na rua do meu bairro
só tem barata morta...
...vivendo no meio do lixo
do supermercado!
E o que não está morto
perde-se em fumaça cinzenta,
de gosto azinabrado;
por cima da arborização e
de um céu róseo-azulado...
Parece que o bairro está rico
de casais aposentados
vivendo bem
as suas vidas
pobres de tão ricas...
As pracinhas escuras confidenciam
com clareza as safadezas bastardas.
As devotas se escondem
no barulho silencioso do rosário.
Os maridos colecionam velhos sonhos
debaixo das pinturas e reformas das casas.
O condomínio se fecha através
da passagem para a vila.
Os garis não recolhem logo o lixo.
Escorpiões surgem no bairro...
Mas meu cabelo só fica lindo
na hora errada.



Há Felicidade

Desculpe a minha empolgação,
mas eu transbordei.
Não sabia mais minha expressão:
um choro sorrido ou
um sorriso chorado?
Isso com certeza merecia um adesivo!
Aquela boina de pelo de marta...
Pensei comigo: melhor esperar
o final do fim de semana
passar...
Veio a calhar a música
encalhada na alma...
Decoração
de coração.
Era preto
pela primeira vez.
O cabelo não secou
até a hora de dormir...



A Música da Nossa História

Então...existem músicas que captam tanto o sentido da gente, que parece que o compositor tirou foto da alma da gente e copiou na música...
Outra cisa que sabemos, é que todo casal tem uma música que traduz a sua história...eu na minha mísera vida de vinte aninhos nunca tinha tido uma música que traduzisse o meu namoro (por exemplo, Pé de Nabo sou eu escrita), e eis que hoje meu namorado,amor da minha vida,londo do meu coração...me fez uma declaração incrível, que ele nem desconfia do tamanho que foi...ele encontrou a música que traduz nosso namoro e nosso amor de uma forma que nenhuma linha se perde!
E só uma coisa eu posso dizer...acho que até hoje me comparava com uma rosa em minhas poesias, enquanto que o meu namorado eu sempre chamava de vento (nas poesias)...O que eu não sabia é que na verdade eu não era rosa, eu era folha... ;)




No começo parecia brincadeira
Não sabíamos que era pra vida inteira
Os caminhos tomam rumos diferentes
Tinha que ser você, o amor achou a gente

Mas um dia o rio encontra o mar
E eu tô aqui pra gente continuar

Hoje o correr do tempo fez sentido
Pra um querer que parecia proibido
Só que Deus já tinha escrito há muito tempo
Que seríamos a folha e o vento

E o que foi virou prefácio do que somos
E é real o que pra nós era um sonho

Chamam isso de destino eu não sei
Mas desde o inicio sempre te cuidei

Chamam isso de amor, eu também acho
Mas seja como for, me dá um abraço


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Réstia de Fresta

Fecharam a porta
do meu quarto;
a minha música os atrapalhava...
Junto com a porta,
fechou-se a minha alma
que estava se escapando
pela brecha do tédio
e solidão que estavam
naquela porta aberta...

Desintegração

"Diálogo 57"

Minha alma morreu,
mas já ressucitou
de novo...


"Diálogo 58"

Não adianta,
sou assim mesmo...
Uso muitas
reticências...



"A Dama das Camélias"

Logo começo
a colecionar
camélias e
a usar um belo
vestido preto.



"Minha Palylist"

Coloco umas músicas
metalinguísticas
para ir espremendo o peito
até sair cada gota de
expressão melancólica.

Melão com Melancia

A melancolia é a mistura
da poesia
com a música,
com problemas sufocando,
com redescoberta de si mesmo,
com desabafo na solidão,
com sentimento de perda,
com ganho de idade e sabedoria.
Quem dera melancolia
fosse só uma mistura
de melão com melancia...


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Reversos

Olhei para cima e percebi
que nem todos tem essa dádiva
de respirar profundamente
através de uma árvore de galhos secos
e espinhos feito pele depilada,
sob um céu azul celeste e límpido.
***
***

Todos os raios de sol
passaram a iluminar
meu olhar, 
fechado em sonhos de um 
cochilo matinal,
dentro do carro, 
esperando meu pai no dentista...

***

***
Melhor que ter sentido 
o beijo doce
de lábios melados.
Sentindo só a agulha
que retirou meu sangue
e junto com ele
foi-se embora o ânimo
e ficou a fome
do jejum
do exame...

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Lotérica



Confesso que 
quase o devorei.
Com minhas palavras
inconvenientes...
Com minha amizade
desaparecida.
Quase gritei
meus desabafos
em seus ouvidos...
Mas o que se pode esperar
de uma amizade
de tão longe que
continua perto depois de
alguns anos?
Quase me excedo!
Foi bom, 
mas eu quis continuar.
"A gente marca alguma coisa
qualquer hora"...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Apagada



No final daquela tarde só restara embalagens de chocolates espalhadas pelo quarto...a cama toda desarrumada, os sapatos,de salto alto, que tanto lhe machucaram e lhe fizeram bolhas, jogados um para cada canto...Um livro lido e relido, e esquecido aberto em cima da mesa de estudos...O lixo transbordante de bolas de papéis amassados como sua alma.O pó se alastrando cada vez mais no quarto escuro, fechado há dias, e até quem sabe mofado...Lenços de papel cheio de lágrimas e catarro secos, do choro amargurado.Todos os porta retratos virados para não mostrarem as fotos, assim como a tela do computador,quebrada com força e raiva,onde aparecia o sorriso...
O fatídico sorriso amarelo...o falso sorriso de paixão.Tudo fora resolvido em um dia.Tudo? Fora resolvido?
Não...pensara assim, até que viera a tona tudo de novo...e dessa vez viera ainda mais forte, ainda mais estúpida, ainda mais dolorido...Só vira nuvens cinzas sendo escarradas em cima dela...Resolvera tudo...Ela sim,mas seu sorriso não resolveu nada...Era apenas mais um sorriso amarelo, um sorriso escondendo outra lágrima...um sorriso escondendo passados e histórias obscuras...Era o sorriso que ganhara, e se apaixonara, e se torturara para ver de novo...
Agora via o quão triste podia ser aquele sorriso...Um sorriso cinza, um sorriso marrom.Um sorriso amargurando o peito...Um sorriso do desprezo desprezível com que encarara tudo aquilo...Era só mais um sorriso que ía rir dela para o resto da vida...Ela sabia que agora não, mas um dia precisaria escolher entre rosas ou sorrisos...
Com toda a histeria com que passara aquela situação, começou a gargalhar...gargalhou quando pensou que tudo o que a fizera sorrir foram lágrimas, pesos...Percebia que os bons momentos foram na verdade falsidade, foram um fardo...Gargalhou por ter se dado conta de como fora ingênua, de como fora traída, de como fora cega...gargalhou, e gargalhou,e gargalhou...
Já não tinha mais lágrimas para chorar, e por isso ria...gargalhava! Gargalhou durante dias...e quando se cansou, decidiu que nunca mais sorriria outra vez. E assim fez.Sua face enrugou-se com a seriedade.Passou a usar roupas escuras somente.As pessoas temiam seu humor. Foi ficando sozinha, foi se fechando do mundo,foi degredando...
E quando a encontraram, morta com uma rosa vermelha e recém desabrochada em uma mão e na outra a fotografia de um pôr do sol sobre o mar,percebia-se claramente que morrera sorrindo, um enorme sorriso amarelo, que fazia encontro com duas grossas lágrimas debulhadas de seus olhos....

Solitária - A Banda Mais Bonita da Cidade




"Quando você ler este bilhete
já estarei na rodoviária.
Quem sabe até na auto-estrada?
Viajei para uma cidade chamada solitária.

Cansei de ser joguete, cacete!
Cansei de ser tão maltratada!
Cansei de ser joguete, cacete!
Cansei de ser tão maltratada!

Deixei bife e arroz no micro ondas,
joguei na privada aquela rosa
e a aliança!
Eu deixei pra você pagar as contas.
Não levo comigo o celular nem a escova,
somente sua lâmina de barbear,
e uma desesperança...

Chegando lá vou ficar bêbada de querosene,
vou raspar os cabelos até
perder a cabeça!
Vou cometer haraquiri!
Mesmo sabendo que nesse momento você ri!
Vou cometer Haraquiri!
Mesmo sabendo que nesse momento você ri..."