segunda-feira, 17 de março de 2014

Bixos Caçados - Frederico e Colegas da Faculdade

Frederico, faço esta postagem, não porque tu seja meu irmão que sabe do coração, não porque tua dança me encanta completamente, não porque eu queira te exibir pra todo mundo que mal visita esse blog, não porque eu queira me exibir tendo um irmão dançarino profissional que nem tu, não porque o vídeo ficou tão super legal que a gente podia mandar pra TV Cultura, não porque eu fiquei imaginando que tu vai ficar famoso que nem o Thiago e vai encontrar uma Marianella algum dia, nem porque eu queira fazer uma enorme homenagem pra ti aqui no Minestra.Nada disso.
O Minestra, como tu sabe, é um "depósito de lixo cultural",uma extensão da Sbórnia talvez(?), um baú de tesouros, um diário público, o pedacinho de alma que não coube mais no meu coração e transbordou...
Te ter aqui no Minestra é uma honra, e estar no Minestra é outra honra ainda maior, pois aqui só entra arte boa, o melhor dos melhores, a verdadeira arte, todo sentimento, toda paixão, toda emoção e todo transe...
Então não fique dando bola para estas mentiras verdadeiras, e preste apenas atenção no que vale a pena, no vídeo e todo seu sentido, ouça a letra e não a melodia, observe a dança e sua expressão, cada detalhe, cada dobrinha dos teus dedos...assista de novo, e de novo, e de novo, até decorá-lo, e orgulhe-se daquele jeito de quando a gente olha para a nossa arte e não acredita que aquilo saiu de dentro da gente...
Acredito que como as palavras, a poesia; a música e a dança também são expressões artísticas que saem vomitadas de dentro da gente. Ser artista é vomitar arte, parecido com quando a gente está apaixonado, há uma urgência na arte, há uma urgência no amor. Amar também é arte.
Amor e arte são os vômitos da nossa alma...

Então, concluindo, só fiz esta postagem pra te dizer parabéns pelo teu vômito, que ficou incrível, e digno de se guardar nesse baú empoeirado...

(Cá entre nós, vômito é uma expressão grotesca,mas cai melhor que lixo cultural...)




quinta-feira, 13 de março de 2014

Devaneios do Grafite

Não era um cabelo.
Pelo contrário,
o pêlo ao contrário
era um risco
arriscado na
carteira da escola.

Maneco Caneco Chapéu de Funil - Luís Camargo




Era uma vez uma escumadeira.
A escumadeira morava numa cozinha onde nunca
se fritava nada.
Nem um nadinha de nada.
A escumadeira cansou de não fazer nada e foi
embora.

A escumadeira foi andando e encontrou uma
concha.
A concha morava numa cozinha onde nunca se
cozinhava nada.
Nem um nadinha de nada.
A concha cansou de não fazer nada e foi embora
com a escumadeira.

A escumadeira e a concha foram andando e
encontraram uma caneca.
A caneca morava numa cozinha onde nunca se
bebia nada.
Nem um nadinha de nada.
A caneca cansou de não fazer nada e foi embora
com a escumadeira e a concha.

A escumadeira, a concha e a caneca foram
andando e encontraram um cabide.
O cabide morava num guarda-roupa onde nunca se
guardava nada.
Nem um nadinha de nada.
O cabide cansou de não fazer nada e foi embora
com a escumadeira, a concha e a caneca.

A escumadeira, a concha, a caneca e o cabide
foram andando e encontraram uma vassoura e uma
pá.
A vassoura e a pá moravam numa cozinha onde
nunca se limpava nada.
Nem um nadinha de nada.
A vassoura e a pá cansaram de não fazer nada e
foram embora com a escumadeira, a concha,
a caneca e o cabide.

A escumadeira, a concha, a caneca, o cabide,a
vassoura e a pá fizeram um boneco engraçado:
o MANECO CANECO.

Maneco Caneco,
cabeça de caneco.
Maneco Cabide,
ombro de cabide.

Maneco Escumadeira,
braço de cabo de escumadeira.
Maneco Escumadeira,
mão de escumadeira.

Maneco Concha,
braço de cabo de concha.
Maneco Concha,
mão de concha.

Maneco Vassoura,
perna de cabo de vassoura.
Maneco Vassoura,
pé de piaçaba.

Maneco Pá,
perna de cabo de pá.
Maneco pá,
pé de pá.

Maneco Caneco foi andando e encontrou um funil.

Maneco Caneco colocou o funil na cabeça e foi embora cantando:

"O meu chapéu é um funil
Um funil é o meu chapéu.
Senão fosse um funil
Não seria o meu chapéu."

Maneco Caneco Chapéu de Funil foi andando e
encontrou um armário com forma de castelo.

O armário tinha duas gavetas embaixo e quatro
portas em cima.

Maneco Caneco Chapéu de Funil abriu a gaveta número um.
Na gaveta número um tinha uma cueca.
Maneco Caneco Chapéu de Funil pegou a cueca e vestiu.

Maneco Caneco Chapéu de Funil abriu a gaveta número dois.
Na gaveta número dois tinha uma camisa.
Maneco Caneco Chapéu de funil pegou a camisa e vestiu.

Maneco Caneco Chapéu de Funil abriu a porta número um.
Na porta número um tinha uma calça.
Maneco Caneco Chapéu de funil pegou a calça e vestiu.

Maneco Caneco Chapéu de Funil abriu a porta número dois.
Na porta número dois tinha um paletó.
Maneco Caneco Chapéu de funil pegou o paletó e vestiu.

Maneco Caneco Chapéu de Funil abriu a porta número três.
Na porta número três tinha uma gravata.
Maneco Caneco Chapéu de funil pegou a gravata e colocou.

Maneco Caneco Chapéu de Funil abriu a porta número quatro.
Na porta número quatro tinha um leitão.
O leitão estava lendo um livro:

"Lá na rua  vinte e quatro
uma mulher matou um sapo
com a sola do sapato."

"O sapato estremeceu
e a mulher morreu.
Urubu-bu-bu quem não sai é um tatu."

Maneco Caneco Chapéu de Funil perguntou ao
leitão:
- Você é um tatu?
- Não - disse o leitão - eu sou o Leitão Leitor.
- Então vamos embora! - disse Maneco Caneco
Chapéu de Funil.
- Eu levo você de cavalinho - disse o Leitão
Leitor.

Maneco Caneco Chapéu de Funil montou no
Leitão Leitor e foram embora cantando. 


O Melhor Livro do Mundo

Eu, a isolada,
o entojo.
Ai que nojo!
Poeira diabética
embaixo da cama.
Em cima da cama
o choro.
Em cima e embaixo,
embaixo é em cima.
Eu, pedaço de nada,
desmiolada.
Miolos de miojo.
Dentro do estojo,
poeira do lápis,
pontas de grafite.
Escória do resto do mundo.
História de um poço sem fundo.
Eu, pessoa errada,
cabide quebrado,
Maneco Caneco
chapéu de funil.