sexta-feira, 30 de maio de 2014

"Poesia Entupida"

Não posso explicar
minha poesia.
Eu só escrevo
o que não consigo falar.
Aquelas palavras que enroscam
na garganta
e só saem vomitadas,
escritas, gritadas,
saem pelas lágrimas.
Isso quando saem.
Quando não saem,
vão apertando as cordas vocais
até elas gritarem
um câncer.
Escrever não é um desabafo.
Escrever é apenas
uma descarga de
palavras entupidas.
Por isso algumas coisas
simplesmente
não são explicáveis.




"Ensaio 55"


Caneta sem tampa.
Caneta sem tampa.
Caneta sem tampa.
Tampa sem caneta!
Clipe quebrado.
Estojo de grafite vazio.
Caneta sem tampa.
Caneta sem tampa.
Caneta sem tampa.
Tampa sem panela!
Caneca sem alça.
Caneca sem alça.
Caneca sem alça.
Caneca sem caneta!
Mala sem alça.
Alça sem tampa.


"Ensaio 54"

Hoje meu nariz
está cheirando tudo.
cheiro bom e
cheiro ruim.
Quando a gente tá com fome
cheiro de ovo é apetitoso.
Quando a gente tá sem fome
cheiro de ovo é ruim, peidoso.
Não conto a ninguém
que o chocolate estava aberto
e cheio de formigas.
Mas comi mesmo assim,
era diet...
Não se perdem oportunidades.

"Passeio de Moto"

Cruzo minhas mãos
no colo teu.
Estou sentada
de maneira desconfortável
confortavelmente.
Aprecio a vista
com cara de paisagem.
Eu vôo rapidamente
deixando a poeira para trás.
Abraço-me em tua
cintura
e teus braços conduzem-me
a um passeio delirante.
Nos cabelos, suor
e vento.
Abandono-me relaxadamente,
como num passeio à cavalo.
Monto na tua garupa
da moto e
confio totalmente em
onde me vais levar.
Apenas aprecio a excitação
deste momento que
só podes tu  proporcionar.




"Porque Escolhi Administração"

Estou enganando meus estudos.
Fujo dos trabalhos e apresento-os
sozinha e em casa.
Finjo felicidade, interesse.
Mas é só distração.
Trabalho com o que não gosto
utilizando materiais de meu gosto.
Escrita, pesquisa, novidade, crítica.
Bagunço toda  Administração.
Desorganizo a Contabilidade
enquanto organizo meu quarto,
minha casa, meus cadernos,
meus escritos, minha criatividade,
meu coração e minha vida.
sistematicamente vou construindo
a minha destruição.
Gosto do que fui e finjo gostar de mim
para gostar de outro ser que não eu.
Esta vida real é destruir-se
e se construir como der...

"Ensaio 53"



À noite eu
engordo meio quilo
só de pijama.



"Diálogo 66"




Meu cabelo esvai-se
em camadas.
E uma linda 
franja no
começo do 
final.



"Diálogo 65"



Eu não sou
nada
porque dentro de mim
eu sou
tudo.
Talento escondido
no lento pensamento.
Eu me escolho 
e me encolho 
por si mesma.
Vivo criativa.
Morro realmente.
Crio expectativa.
Me descubro tristemente.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Quietude



Extremamente quieta.
Às vezes me incomoda.
Às vezes não.
Incomoda mais aos outros
do que a mim.
Minha quietude é sossego
hoje.

Tem dias que é raiva,
outros angústia,
outros é discórdia...

Hoje quero apenas descansar,
estou com hipoglicemia.
Conversar para muitos é natural,
para mim requer esforço.
Chega-me a ser um exercício físico.
Mas hoje quero apenas descansar
do meu diabetes...



"O amor de todas as mulheres no seu coração."





  
  
  

Diálogo 67




A solução está 
inresolvida.
Por acaso alguém
já sabe
quando é que chega
aquela parte de
Felizes Para Sempre?


"Boba Bolada"



Preciso de um tempo
para mim,
para saber o que quero
de mim
para mim.

Preciso me redescobrir
e descobrir
que me cobrir
de auto-piedade
não muda nada
para ninguém.

Preciso parar
para pensar,
ponderar,
perceber,
ver 
para crer
que eu sou
uma pessoa
integral...

Uma chata,
emburrada,
exigente,
amor descrente,
decrescente,
com certeza
indecente.

Entendo que a solução
não está em manter-me
sozinha,
calada,
sofrendo,
anestesiando minha vida
na vida dos outros.

Sou o sumiço,
o pó.
A sujeirinha,
o cisco do olho,
a escória,
a sobra do mundo.
A descoberta de algo ruim.
Quem dera eu fosse
uma parte de mim...