sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Citação - Os Quatro Pilares da Educação 2

"(...) a educação é antes de mais nada uma viagem interior, cujas etapas correspondem às da maturação contínua da personalidade.(...) é, ao mesmo tempo, um processo individualizado e uma construção social interativa."

 

Citação - Os Quatro Pilares da Educação

"À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permita navegar através dele."

 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Academia Brasileira de Letras - Site Oficial

Um "guardado" que é interessante a todos, que com certeza tem que guardar e consultar, e passear sempre por lá... 

http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Escrita



“[...] escrita é qualquer processo de representação da linguagem verbal sobre uma substância material qualquer, seja uma parede, [...] uma folha de papel ou uma tela de computador”. (ABREU, 2003, p. 27 )


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

As Abelhas Não Falam

         


      "Um estudo clássico sobre o sistema de comunicação usado pelas abelhas, publicado em 1959 por Karl von Frisch, revela que a abelha-obreira, ao encontrar uma fonte de alimento, regressa à colmeia e transmite a informação às companheiras por meio de dois tipos de dança: circular, traçando círculos horizontais da direita para a esquerda e vice-versa, ou em forma de oito, em que a abelha contrai o abdome, segue em linha reta, depois faz uma volta completa à esquerda, de novo corre em linha reta e faz um giro para a direita, e assim sucessivamente.Se o alimento está próximo, a menos de cem metros, a abelha executa uma dança circular; se está distante, realiza uma dança em forma de oito.A mensagem transmitida pela dança em forma de oito é muito precisa, porque indica a distância em metros: para uma distância de cem metros, a abelha percorre nove ou dez vezes em 15 segundos a linha reta que faz parte da dança.Quanto maior a distância, menos giros faz a abelha (para 500 metros faz seis giros em 15 segundos).A direção a ser seguida é dada pela direção da linha reta em relação à posição do sol.
       Os dois tipos de dança apresentam-se como verdadeiras mensagens que anunciam a descoberta para a colmeia: ao perceber o odor da obreira ou absorvendo o néctar que ela deglute, as abelhas se dão conta da natureza do alimento; ao observar a dança, as abelhas descobrem o local onde se encontra a fonte do alimento."






quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Mnemosyne e as Musas


Texto e Imagens retirados do Blog Mitologia Grega, a 13 de dezembro de 2010.
http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2010/12/mnemosine-e-as-musas.html




Mnemosine - a deusa de memória, era filha de Géia e Urano. Tendo se unido a Zeus gerou nove filhas: as Musas. Hesíodo pastoreava seus rebanhos no Hélicon quando as Musas se dirigiram a ele e lhe disseram que sabiam mentir e revelar a verdade. Deram-lhe um ramo de loureiro e iniciaram-no como poeta. Em vista disso, ele contou-nos as origens ancestrais dos deuses.

O esquecimento das tristezas e cessação dos cuidados eram governados pela personificação de Lethe ou Lesmosyne - a deusa do esquecimento. Como um rio, faz parte do Mundo Subterrâneo que era denominado "campos leteus ou a casa de Lethe", porque na região infernal havia também uma fonte de Mnemósine.

Longe de outros deuses Mnemosine deu a luz às suas filhas, as Musas que moravam com as Graças e Hímero, o duplo de Eros. Elas seguiam os caminhos do Olimpo entoando um canto imortal. Seus hinos ecoavam pela terra e lindo era o som dos seus passos. Tinham também um local de dança no cume do Hélicon e do altar de Zeus. Todas as vezes que se dirigiam ao Olimpo iam envoltas em nuvens, quando só se podia ouvir as suas vozesmaravilhosamente belas na noite.

As Musas sempre foram descritas pelos poetas como fonte de inspiração e diziam serem em quantidade muito maior. Da boca das pessoas que elas amavam fluíam a fala meiga e o doce canto. Elas também eram chamadas de Mnéias, plural de Mnemósine. Supunha-se que elas haviam sido chamadas: Mélete, "a que pratica"; Mneme,"a que recorda"; e Aede, "a que canta".
Calíope - Musa da Eloquência
Clio ou Kleio - Musa da História
Erato - Musa da Poesia romântica
Euterpe - Musa da Música
Melpômene - Musa da tragédia e alegria
Polimnia - Musa da poesia lírica
Terpsícore - Musa da dança
Talia - Musa da comédia
Urânia - Musa da astronomia e da astrologia

Afirmavam os poetas que tudo que diziam era apenas repetição do que as Musas lhes haviam dito e davam a elas todo o crédito. Eles invocavam sua Musa e esperavam que ela viessem atendê-los na sua inspiração. Quando as Musas cantavam, tudo se imobilizava: o céu, as estrelas, o mar e os rios. Podiam assumir a forma de pássaros e se achavam muito próximas das ninfas das fontes, exatamente como sua mãe Mnemósina que era associada às nascentes, tanto no mundo subterrâneo quanto no mundo superior.


Mnemosine era a divindade que mantinha vivos os fatos frente aos perigos da infinitude e aos perigos do esquecimento que na cosmogonia grega aparece como um rio, o Lete, um rio a cruzar a morada dos mortos que provocava letal esquecimento. No Tártaro, era de onde as almas bebiam sua água quando estavam prestes a se reencarnarem e, por isso, esqueciam sua existência anterior.

A mnemónica, que partilha a etimologia de Mnemosine, é usada como auxiliar de memória, para memorizar listas e fórmulas, baseadas em formas simples de memorização, dentro do princípio de que a mente humana tem mais facilidade de memorizar dados quando estes são associados a informação pessoal, espacial ou de caráter relativamente importante, com significado aparente, pois sequências sem algum sentido são igualmente difíceis de memorizar.

Também pertence à mesma família etimológica pertence a palavra Música - que concerne às Musas e Museu - o templo das Musas, onde elas residem ou onde alguém se aperfeiçoa nas diversas artes.


Era através da audição do canto que o homem comum podia romper os estreitos limites de suas possibilidades físicas de movimento e visão, transcender suas fronteiras geográficas e temporais, entrar em contato e contemplar figuras, fatos e mundos que pelo poder do canto se tornavam audíveis, visíveis e presentes. O poeta, portanto, tem na palavra cantada o poder de ultrapassar e superar todos os bloqueios e distâncias espaciais e temporais, um poder que lhe é conferido pela Memória ou Mnemosine, através das palavras cantadas das Musas.

O dom de Mnemósine é conduzir o côro das Musas e, confundindo-se com elas, presidir a função poética. A Grécia arcaica da mesma forma que diviniza a função psicológica da memória e diviniza a possibilidade de suas funções. A poesia é uma espécie de possessão pelas Musas, de delírio divino que toma o poeta e o transforma no intérprete de Mnemósine, daquela que tudo sabe.

Conhecer os mitos é aprender o segredo da origem das coisas. Aprende-se não só como as coisas passaram a existir, mas também onde as encontrar e como fazê-las ressurgir quando elas desaparecem. No contexto mítico, recordar significa resgatar um momento originário e torná-lo eterno. A recordação, como resgate do tempo, confere imortalidade àquilo que ordinariamente estaria perdido de modo irrecuperável. Traz de novo a presença dos Deuses, os feitos exemplares que forjam os heróis e queperseguimos ainda hoje como modelos exemplares. Nos coloca novamente em presença das tradições dos antepassados que nos tornaram o que somos.


O papel da memória não é apenas o de simples reconhecimento de conteúdos passados, mas um efetivo reviver que leva em si todo ou parte deste passado. É o de fazer aparecer novamente as coisas depois que desaparecem. É graças à faculdade de recordar que, de algum modo, escapamos da morte. O esquecimento é a impermanência, a mortalidade. Conforme Platão: a natureza mortal procura, na medida do possível, ser e ficar imortal.

O lugar da memória é o lugar da imortalidade, que guarda a glória imortal das obras produzidas e deixadas para as gerações. São os filhos uma espécie de memória que se perpetua pelo sangue ou pelos genes. São os valores e as culturas, que permanecem como expressão máxima do pensamento e do sentimento humano.

A memória não está apenas no passado, mas está presente em nossos corpos, em nosso idioma, no que valorizamos, no que aprendemos, tememos e no que esperamos. A memória liga o presente ao passado, mostra a diferença e aponta a repetição, permitindo que possamos admirar o que é novo. Porque só é novo aquilo que procuramos referências na memória e não encontramos, pois no instante seguinte em que percebemos algo novo, ele já pertence ao passado e ao domínio da memória.

Não nos lembramos de tudo, lembramos aquilo que tem significado, aquilo que é importante. Assim, vivemos entre a memória e o esquecimento, talvez porque vivamos entre o ser e o não ser mais. Certamente precisamos de ambos para viver. A memória nos faz lembrar de quem somos e é o que nos faz querer ir a algum lugar.

A Lenda de Orfeu e Eurídice




Na mitologia grega, Orfeu era poeta e médico, filho da musa Calíope e de Apolo ou Eagro, rei da Trácia. Era o poeta mais talentoso que já viveu. Quando tocava sua lira que seu pai lhe deu, os pássaros paravam de voar para escutar e os animais selvagens perdiam o medo. As árvores se curvavam para pegar os sons no vento.
Foi um dos cinquenta homens - os argonautas - que atenderam ao chamado de Jasão para buscar o Tosão de ouro. Acalmava as brigas que aconteciam no navio com sua lira. Durante a viagem de volta, Orfeu salvou os outros tripulantes quando seu canto silenciou as sereias, responsáveis pelos naufrágios de inúmeras embarcações.
Orfeu apaixonou-se por Eurídice e casou-se com ela. Mas Eurídice era tão bonita que, pouco tempo depois do casamento, atraiu um apicultor chamado Aristeu. Quando ela recusou suas atenções, ele a perseguiu. Tentando escapar, ela tropeçou em uma serpente que a mordeu e a matou. Por causa disso, as ninfas, companheiras de Eurídice, fizeram todas as suas abelhas morrerem.
Orfeu ficou transtornado de tristeza. Levando sua lira, foi até o mundo inferior, para tentar trazê-la de volta. A canção pungente e emocionada de sua lira convenceu o barqueiro Caronte a levá-lo vivo pelo rio Estige.A canção da lira adormeceu Cérbero, o cão de três cabeças que vigiava os portões. Seu tom carinhoso aliviou os tormentos dos condenados. Encontrou muitos monstros durante sua jornada, e os encantou com seu canto.
Finalmente Orfeu chegou ao trono de Hades. O rei dos mortos ficou irritado ao ver que um vivo tinha entrado em seu domínio, mas a agonia na música de Orfeu o comoveu, e ele chorou lágrimas de ferro. Sua esposa, a deusa Perséfone, implorou-lhe que atendesse o pedido de Orfeu. Assim, Hades atendeu seu desejo. Eurídice poderia voltar com Orfeu ao mundo dos vivos. Mas com uma única condição: que ele não olhasse para ela até que ela, outra vez, estivesse à luz do sol.
Orfeu partiu pela trilha íngreme que levava para fora do escuro reino da morte, tocando músicas de alegria e celebração enquanto caminhava, para guiar a sombra de Eurídice de volta à vida. Ele então quase no final do tenebroso túnel olhou para se certificar de que Eurídice o acompanhava e
Chorando, as nove musas reuniram seus pedaços e os enterraram no monte Olimpo. Dizem que, desde então, os rouxinóis das proximidades cantaram mais docemente que os outros. Pois Orfeu, na morte, se uniu à sua amada Eurídice.Por um momento ele a viu, perto da saída do túnel escuro, perto da vida outra vez. Mas enquanto ele olhava, ela se tornou de novo um fino fantasma, seu grito final de amor e pena não mais do que um suspiro na brisa que saía do Mundo dos Mortos. Ele a havia perdido para sempre. Em desespero total, Orfeu se tornou amargo. Recusava-se a olhar para qualquer outra mulher, não querendo lembrar-se da perda de sua amada. Posteriormente deu origem ao Orfismo, uma espécie de serviço de aconselhamento; ele ajudava muito os outros com seus conselhos , mas não conseguia resolver seus próprios problemas, até que um dia, furiosas por terem sido desprezadas, um grupo de mulheres selvagens chamadas Mênades caíram sobre ele, frenéticas, atirando dardos. Os dardos de nada valiam contra a música do lirista, mas elas, abafando sua música com gritos, conseguiram atingi-lo e o mataram. Depois despedaçaram seu corpo e jogaram sua cabeça cortada no rio Hebro, e ela flutuou, ainda cantando, "Eurídice! Eurídice!"não a viu. Hades e Perséfone os seguiram e como ficou estabelecido que ele não poderia olhar para Eurídice até chegar ao fim do túnel, Hades a tomou novamente.
Quanto às Mênades, que tão cruelmente mataram Orfeu, os deuses não lhes concederam a misericórdia da morte. Quando elas bateram os pés na terra, em triunfo, sentiram seus dedos se espicharem e entrarem no solo. Quanto mais tentavam tirá-los, mais profundamente eles se enraizavam. Suas pernas se tornaram madeira pesada, e também seus corpos, até que elas se transformaram em carvalhos silenciosos. E assim permaneceram pelos anos, batidas pelos ventos furiosos que antes se emocionavam ao som da lira de Orfeu, até que por fim seus troncos mortos e vazios caíram.

Aprendendo a Aprender




Muitas reflexões podem ser retiradas deste vídeo, mas a melhor delas é: porque o mestre é retratado como um monstrinho, uma tartaruga...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Herança - Orides Fontela


Da avó materna:
uma toalha (de batismo).

Do pai:
um martelo
um alicate
uma torquês
duas flautas.

Da mãe:
um pilão
um caldeirão
um lenço.



Lira de Poesias

                          
Cavaquinho, óleo sobre tela (1915), Amadeo de Souza-Cardoso - MMSC
             "A coisa mais antiga de que me lembro é dum quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima duma mesa, uma maçã enorme e vermelha.Do brilho do mar e do vermelho da maçã erguia-se uma felicidade irrecusável, nua e inteira.Não era nada de fantástico, não era nada de imaginário: era a própria presença do real que eu descobria. Mais tarde a obra de outros artistas veio confirmar a objectividade do meu próprio olhar. Em Homero reconheci essa felicidade nua e inteira, esse esplendor da presença das coisas.
    E também a reconheci, intensa, atenta e acesa na pintura de Amadeo de Souza-Cardoso. Dizer que a obra faz parte da cultura é uma coisa um pouco escolar e artificial. A obra de arte faz parte do real e é destino, realização, salvação e vida.
    Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real.Um poema sempre foi um círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso.E se a minha poesia, tendo partido do ar, do mar e da luz, evoluiu, evoluiu sempre dentro dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo. Aquele que vê o fenómeno quer ver todo o fenómeno. É apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor.
       E é por isso que a poesia é uma moral. E é por isso que o poeta é levado a buscar a justiça pela própria natureza da poesia. E a busca da justiça é desde sempre uma coordenada fundamental de toda a obra poética. Vemos que no teatro grego o tema da justiça é a própria respiração das palavras. Diz o coro de Ésquilo: ' Nenhuma muralha defenderá aquele que, embriagado com a sua riqueza, derruba o altar sagrado da justiça'. Pois a justiça se confunde com aquele equilíbrio das coisas, com aquela ordem do mundo onde o poeta quer integrar o seu canto. Confunde-se com aquele amor que, segundo Dante, move o sol e os outros astros. Confunde-se com a nossa confiança na evolução do homem, confunde-se com a nossa fé no universo. Se em frente do esplendor do mundo nos alegrarmos com paixão, também em frente do sofrimento do mundo nos revoltamos com paixão. Esta lógica é íntima, interior, consequente consigo própria, necessária, fiel a si mesma. O facto de sermos feitos de louvor e protesto testemunha a unidade da nossa consciência.
         A moral do poema não depende de nenhum código, de nenhuma lei, de nenhum programa que lhe seja exterior, mas, porque é uma realidade vivida, integra-se no tempo vivido. E o tempo em que vivemos é o tempo duma profunda tomada de consciência. Depois de tantos séculos de pecado burguês a nossa época rejeita a herança do pecado organizado. Não aceitamos a fatalidade do mal. 
        Como Antígona a poesia do nosso tempo diz: 'Eu sou aquela que não aprendeu a ceder aos desastres.'
Há um desejo de rigor e de verdade que é intrínseco à íntima estrutura do poema e que não pode aceitar uma ordem falsa.
        O artista não é, e nunca foi, um homem isolado que vive no alto de uma torre de marfim. O artista, mesmo aquele que mais se coloca à margem da convivência, influenciará necessariamente, através da sua obra, a vida e o destino dos outros. Mesmo que o artista escolha o isolamento como melhor condição de trabalho e criação, pelo simples facto de fazer uma obra de rigor, de verdade e de consciência ele irá contribuir para a formação duma consciência comum. Mesmo que fale somente de pedras ou de brisas a obra do artista vem sempre dizer-nos isto: Que não somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência mas que somos, por direito natural, herdeiros da liberdade e da dignidade do ser.
       Eis-nos aqui reunidos, nós escritores portugueses, reunidos por uma língua comum. Mas acima de tudo estamos reunidos por aquilo a que o padre Teilhard de Chardin chamou a nossa confiança no progresso das coisas.
      E tendo começado por saudar os amigos presentes quero, ao terminar, saudar os meus amigos ausentes: porque não há nada que possa separar aqueles que estão unidos por uma fé e por uma esperança."


(Palavras ditas por Sophia de Mello Breyner Andresen,  em 11 de julho de 1946 no almoço promovido pela Sociedade Poruguesa de Escritores por ocasião da entrega do Grande Prémio de Poesia atribuído a Livro sexto.)