segunda-feira, 7 de março de 2016

Lenda de Dionísio/Baco


Dionísio para os gregos ou Baco para os romanos teve um nascimento interessante: Zeus traiu Hera com Sêmele, engravidando -a.Hera engana Sêmele e pede a Zeus que se mostre à amante em sua forma original, sentado em uma carruagem de fogo. A mortal se assusta e morre, virando cinzas. Das cinzas, Zeus resgata o feto e o gesta em sua barriga da perna. Assim nasce Dionísio.
Há outra versão da mesma lenda em que Zeus se transforma em uma cobra/dragão e violenta Perséfone, e dessa violação nasce Zagreu, um deus que tem a forma de um touro. Hera, enciumada, manda que os titãs dilacerem o fruto da traição de Zeus, mas este, com ajuda da deusa Atena, consegue resgatar o coração, intacto e pulsante, do deus destruído. Com este coração, Zeus faz uma poção e dá para Sêmele beber, engravidando-a. Sêmele insiste para que Zeus se mostre em sua forma original, mas ao fazer isso, Sêmele morre queimada. O restante da história é o mesmo, Zeus gesta o feto em sua coxa e daí nasce Dionísio.
Quando ficou adulto, Dionísio aprendeu a arte do cultivo da vinha e da produção do vinho. Juno, com muita inveja, amaldiçoa-no e o deixa louco. Assim Dionísio sai pelo mundo disseminando a arte da vinha, enlouquecido. Ao chegar à Frígia, a deusa Cibele o tira da maldição e ensina a ele os cultos religiosos. Baco continua a divulgar seu conhecimento, mas quando volta à Grécia, é proibido pelo rei Penteu, a realizar seus cultos.
Penteu manda seus servos procurarem Baco e levá-lo até ele. Porém, estes só conseguem fazer prisioneiro um dos companheiros de Baco, que Penteu interroga querendo saber desses novos ritos. Este se apresenta como Acetes, um piloto, e conta que, certa vez velejando para Delos, ele e seus marinheiros tocaram na ilha de Dia e lá desembarcaram.
Na manhã seguinte os marinheiros encontraram um jovem de aparência delicada adormecido, que julgaram ser um filho de um rei, e que conseguiriam uma boa quantia em seu resgate. Observando-o, Acetes percebe algo superior aos mortais no jovem e pensa se tratar de alguma divindade e pede perdão a ele pelos maus tratos. Porém seus companheiros, cegados pela cobiça, levam-no a bordo mesmo com a oposição de Acetes. Os marinheiros mentem dizendo que levariam Baco (pois era realmente ele) onde ele quisesse estar, e Baco responde dizendo que Naxos era sua terra natal e que se eles o levassem a até lá seriam bem recompensados. Eles prometem fazer isso e dizem a Acetes para levar o menino a Naxos. Porém, quando ele começa a manobrar em direção a Naxos ouve sussurros e vê sinais de que deveria levá-lo ao Egito para ser vendido como escravo, e se recusa a participar do ato de baixeza.
Baco percebe a trama,em seguida olha para o mar entristecido, e de repente a nau pára no meio do mar como se fincada em terra. Assustados, os homens impelem seus remos e soltam mais as velas, tudo em vão. O cheiro agradável de vinho se alastra por toda a nau e percebe-se que vinhas crescem, carregadas de frutos sob o mastro e por toda a extensão do casco do navio e ouve-se sons melodiosos de flauta. Baco aparece com uma coroa de folhas de parra empunhando uma lança enfeitada de hera. Formas ágeis de animais selvagens brincam em torno de sua figura. Os marinheiros levados à loucura começam a se atirar para fora do barco e ao atingir a água seus corpos se achatavam e terminavam numa cauda retorcida. Os outros começam a ganhar membros de peixes, suas bocas alargam-se e narinas dilatam, escamas revestem-lhes todo o corpo e ganham nadadeiras em lugar dos braços. Toda a tripulação fôra transformada e dos 20 homens só restava Acetes, trêmulo de medo. Baco, porém, pede para que nada receie e navegue em direção a Naxos, onde encontra Ariadne e a toma como esposa.
Cansado de ouvir aquela historia, Penteu manda aprisionar Acetes. E enquanto eram preparados os instrumentos de execução, as portas da prisão se abrem sozinhas e caem as cadeias que prendiam os membros de Acetes. Não se dando por vencido, Penteu se dirige ao local do culto encontrando sua própria mãe cega pelo deus, que ao ver Penteu manda as suas irmãs atacarem-no, dizendo ser um javali, o maior monstro que anda pelos bosques. Elas avançam, e ignorando as súplicas e pedidos de desculpa, matam-no. Assim é estabelecido na Grécia o culto de Baco. Certa vez, seu mestre e pai de criação, Sileno, perdeu-se e dias depois quando Midas o levou de volta e disse tê-lo encontrado perdido, Baco concedeu-lhe um pedido. Embora entristecido por ele não ter escolhido algo melhor, deu a ele o poder de transformar tudo o que tocasse em ouro. Depois, sendo ele uma divindade benévola, ouve as súplicas do mesmo para que tirasse dele esse poder.

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