terça-feira, 9 de agosto de 2016

"É Só Uma Chuva de Verão"


Eu sou negra.
Você não vê minha cor?
Repare o samba no pé!
Repare o maxixe
Essa vontade de dançar
Essa vontade de batuque
Repare como bate o tambor
do coração.
Esse vozeirão potente,
gritado,
escondido
nesse corpinho miúdo.
Veja essa vida sofrida,
cheiro de porão, ressaca de navio,
marcas de escravidão.
Apanhando no pelourinho
em frente à Igreja de ouro.
Não fiz nada,
queimei o feijão,
odeio feijoada.
Estudo modelos europeus
e tenho uma dor quilombar.
Quanto você paga
para eu pagar seus pecados?
Sou branca,
você não vê minha cor?
Sou branca de alma preta,
branca maluca,
teta de branquela,
olhos negros
como a asa
da araponga.
Você enxerga em cores
ou enxerga em preto e branco?


sábado, 6 de agosto de 2016

Soneto 147, de William Shakespeare

My love is as a fever, longing still
For that which longer nurseth the disease;
Feeding on that which doth preserve the ill,
The uncertain sickly appetite to please.
My reason, the physician to my love,
Angry that his prescriptions are not kept, 
Hath left me, and I desperate now approve
Desire is death, which physic did except.
Past cure I am, now Reason is past care, 
And frantic-mad with evermore unrest;
My toughts and my discourse as madmen's are,
At random fro, the truth vainly express'd;
        For I have sworn thee fair, and thought thee bright,
        Who art as black as hell, as dark as night.



Tributos a Nico Nicolaievsky



Porque um verdadeiro músico toca qualquer estilo! - In Memorian a este grande artista, a estrela sborniana no céu!