sexta-feira, 28 de abril de 2017

"Relacionamento Eclipsado"

     
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 Roubaram o sol. E eu, que estive esperando amanhecer para levantar, fiquei deitada, imaginando o horário de verão. Nenhuma luzinha lá fora, e ao mirar o relógio, já marcando nove horas, sobressaltei-me.
      Levantei com a responsabilidade do atraso, engoli um café requentado e vesti a roupa da véspera, na esperança de que aquela me trouxesse a iluminação do dia anterior. Nada. Resolvi abrir a casa, tirar a poeira, lavar algumas roupas. Quem sabe o brilho do sol não se enrolou nos macacos de poeira? Quem sabe pondo as roupas no varal o sol se anime e apareça? Não adiantou.
       Resolvi sair na rua, verificar se aquele fenômeno fantástico foi percebido apenas por mim ou se afetara o resto da cidade. Tudo escuro, inclusive, ausência de luz elétrica. Como é natural, os postes de luz apagam-se durante o dia. Uma ou outra lanterna de algum perdido, que assim como eu, procurava compreender aquela escuridão.
       Caminhei até a vizinha que também estava ali pela rua, e ao modo de quando se falta a luz elétrica no bairro, perguntei:
       - Na sua casa também faltou a luz?
       No que ela me respondeu:
      - Faltou desde a noite anterior. Diz que Fulano ligou na companhia de luz e força, e lá eles disseram que o sol foi roubado.
       O sol roubado. Como era possível? Fui falar com  o tal Fulano, que me informou o começo do tal acontecimento.
        Um jovem rapaz madrugava todo dia para assistir seu amor raiar junto com o sol. A moça era a luz que iluminava o sol e os dias. O que dava luz ao mundo era aquele amor, que o rapaz alimentava toda manhã. Aquela bola alaranjada que surgia no leste todo santo dia nada mais era que o coração apaixonado de um moço.
       Eis que nesse dia fatídico, o moço não madrugou. A moça escondeu seu brilho, o amor não nasceu nem cresceu. A companhia de luz e força indagou o moço sobre o motivo da discussão do casal. No Diário Oficial, finalmente saiu a nota do real motivo de tal apagão. A tal moça iluminada que fazia brilhar o sol perdeu o encanto pelo moço. O amor acabou. O brilho se foi. Ela apaixonou-se pela lua. O moço, de tristeza, escureceu o mundo e ascendeu com suas lágrimas as estrelas.
         Depois que o eclipse amoroso passou, o moço apaixonou-se pelo mar, reascendendo seu coração e devolvendo o sol ao mundo. Diz-se que se formos à beira da praia, encontraremos um moço de olhar apaixonado, admirando o brilho que o sol deixa suavemente nas ondas.
         Quanto a mim, voltei à velha rotina, e a partir do dia do eclipse, resolvi carregar minha própria luz. Vivo por aí, brilhando e juntando estrelas.

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